terça-feira, 21 de abril de 2015

• Capítulo 49

Camila Narrando 

Acordei com o sol me dando bom dia e junto com ele, uma forte dor de cabeça. Me levantei e fui tomar um banho quente, bem do jeito que eu gosto. Sai do boxe do chuveiro colocando meu roupão e ficando de frente ao enorme espelho que ali havia. 
Recordei da noite anterior e conclui que em menos de 48 horas que reencontrei Luan, já perdi o namorado e quase o emprego. Parabéns Luan Rafael, obrigada por sempre bagunçar o que eu tanto tento arrumar: a minha vida. - Dizia Camila com tom de indignação.

- O que você disse? - Dizia Bernardo parado atrás na porta do banheiro.
- Ai que susto! Uai, o que eu disse? Dizia Camila desconversando o assunto.
- Não seja fingida, Camila. Meus ouvidos funcionam muito bem e eu ouvi você falar no nome desse... Desse cara!
- Sério que ele ainda pode ser um motivo de uma das nossas brigas? Bê, já se passaram 6 anos. Até eu que fui a que mais sofreu na história, já esqueci. Você devia fazer o mesmo.
- Será que esqueceu mesmo, Mila? 

O silêncio ecoou sobre nós, quando de repente ouvi uma risada vindo do meu irmão.
- O que foi agora? Resolveu rir da minha cara? 
- Tô lembrando do dia que vi pela primeira vez vocês dois se beijando, nas férias da mansão, lembra?! Cara, eu dei um soco na cara do Luan, você se desesperou. Caramba, foi hilário. 
- Dizia gargalhando me fazendo rir junto.
- Lembro, claro. E foi a partir desse dia que você começou a ser "amiguinho" da Bruna! -Fazia aspas com os dedos. 
- Ah, vai ficar lembrando dessas coisas agora? Nem lembrava disso aí.
- Será que não lembrava, Bê?
- Ah, vai se catar! 
Os dois riam juntos recordando das boas histórias que colecionaram com Luan, Bruna, Julia, Matheus, Pedro e Maria. E pela primeira vez, sem brigas.
- Ei, como você entrou aqui e eu nem percebi?
- Não é muito difícil fazer qualquer coisa que você não perceba, mana. Lerda desse jeito... 
- Ha-ha-ha, fala, fubá!
- Eu tenho a cópia da chave, maninha. Vim te ver e aproveitar pra deixar umas panquecas que a mãe fez.
- Aiiii, te amo, te amo! - Camila se levantava pra abraçar e enche-lo de beijos. 
Depois de mais uns minutos ali, Bernardo se despedia pra voltar ao trabalho.

Me sentei no sofá e  comecei a relembrar os momentos de todos nós juntos novamente. Que saudade de preparar nossas incríveis festas, de encher a cara e não lembrar de nada no dia seguinte... Mas teria uma forma de curar essa saudade começando pela pessoa que mais me fez falta, a Bruna. Queria tanto sentir aquele abraço que só ele sabia dar, ouvir aquela risada escandalosa. -Sorria sozinha relembrando.

 Peguei meu celular e nos contatos seu nome continuava salvo com o apelido que só eu a chamava, "Bubuzinha". Depois de ficar minutos encarando o seu número, resolvi ligar. 
- Alô? - sua voz soou desconfiada.
- Bruna? - Estremeci ao ouvi-lá.
- Quem fala?
- Aqui é a Camila, tudo bem? - Meus olhos insistiam em lacrimejar.
- Que Camila? Camila Vieira do curso de Teatro? Tudo sim, linda. Você sumiu... Devia te bater!
- Camila Salsa. Lembra dessa mal-acabada aqui? 
- Meu Deus, Camila!!! -Ela gritava e parecia que eu podia ver o sorriso dela se formando.
- Que felicidade, eu sabia que você não iria resistir ficar longe de mim por tanto tempo. 
- O tempo passa e você não muda hein, Bubuzinha? Sempre se achando! Que saudade de você. 
A gente sorria num descompasso, o tempo voava. 
- Nós precisamos recuperar o tempo que perdemos!
Camila podia vê-la do outro lado do telefone, saltitante, do seu jeitinho próprio. 
O papo engatou-se e em menos de minutos elas pareciam que nunca tinham parado de se falar. 

- O que você acha de irmos comer um Japa hoje a noite? Preciso te ver!
- Ô Bubu, queria um lugar mais reservado, a saudade está grande, me entenda! Vou lhe matar de abraços e querer saber de todos os bafos.
- Então digamos que não tem lugar melhor pra a senhorita vir do que a minha casa! 
- Bruna... Acho melhor não.
- Sério que você ainda é apaixonada no meu irmão?
- Claro que não!
- Não é isso que eu tô vendo. Não quer vir aqui pra evitá-lo, então óbvio que ainda o ama.
- Ta, ta. Tudo bem, eu vou. 
- Eu sabia que você não ia me decepcionar! -Dizia rindo maliciosa.
- Você sempre consegue o que quer.
Depois de muito conversarmos, desligamos a ligação. Ficando combinado de que no finalzinho da tarde eu iria a casa dos Santana's vê-la. 

Um misto de nervosismo e ansiedade tomava conta de mim. 
Procurava algo pra me ocupar, mas eu não conseguiria parar de pensar em outra coisa a não ser se Luan estaria em casa ou não. Passei o resto da tarde jogada no sofá da sala, assistindo e comendo as Panquecas que Bernardo havia trazido pra mim. 

Olhei pelo retrovisor do celular e já eram 17:00PM, eu havia marcado com Bruna às 18.
 Corri para o banheiro e tomei meu banho. Depois da água quente ter me relaxado mais, sai de lá me enxugando e fui fazer uma make básica. Escolhi uma roupa simples, soltei meus cabelos e fiquei me alto analisado gostando do que via. 
Peguei as chaves do apartamento, do carro e meu celular e antes de sair decidi atualizar minha conta no Instagram.

@Camila_Salsa: "Um dia você entende que o tempo não é inimigo. E que ele é o nosso maior mestre. Que tudo vem na hora que deve vir. Que não adianta espernear nem se esconder da vida. Que a fuga não é a melhor saída. E que no fim das contas a gente sempre acaba agradecendo tudo que passou." 
 
Tranquei o Apê e desci pra garagem. Entrei no carro checando o endereço que Bruna havia me dado, não sabia que era tão perto assim. Liguei a rádio como sempre fazia e havia acabado de começar a música nova do Luan, "Tudo que você quiser". Eu tinha que admitir, aquela música mexe com o psicológico até de quem não está amando... Pensei.

Logo avistei o condomínio e segui para a entrada. Na portaria meu nome já estava liberado então fui procurar a bendita casa. 
Estacionei em frente, peguei a bolsa, meu celular e com um certo receio segui até a porta já tocando a campainha. Ouvi o barulho das chaves e logo aquela porta de nos separava desapareceu, minha Bubuzinha estava ali tão linda, tão mulher. Um sorriso surgiu em nossos rostos e na mesma hora nos abraçamos tentando acalmar um pouco da saudade de tinha morado em nós por esses 6 anos.
Depois de tagarelarmos enquanto ela me mostrava toda a casa sentamos no sofá da sala e em poucos minutos ela estava ali de novo... A nossa intimidade.
Após longos minutos colocando uma a outra a par de tudo que perdemos no tempo em que tivemos separadas, ouvi um barulho de passos na escada e vejo dona Marizete descendo, sorridente, mais jovem e linda do que nunca.

- Mila minha filha, quanto tempo. Como você está? - Dizia Marizete indo em direção a Camila, abraçando-a.
- Dona Mari que saudade, vou bem e você? 
- Sem o dona, por favor. Vou bem graças a Deus. Como você está linda, sempre foi!
- Ih gente, eu tô aqui tá? -Dizia Bruna nos fazendo rir do seu biquinho emburrado, que somente ela e o irmão conseguiam fazer.
-Vou trazer alguma coisa para vocês comerem, já volto. -Anunciou Marizete já indo rumo a cozinha.
 Bruna resolveu escolher um filme para a gente assistir e eu fui ver se Dona Mari estava precisando de alguma coisa e na metade do caminho ouço ela gritar: 

- Mila minha filha faz tanto tempo que você não vem aqui que eu nem lembro mais seus gostos. Prefere bolo de cenoura ou chocolate? -Antes mesmo d'eu responder ouço uma voz que eu tanto conhecia ecoando pela casa e fazendo meu coração parar.
- Ela prefere de cenoura, Mamusca.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

• Capítulo 48

Camila Narrando

As horas passavam e o momento tão temido por mim estava chegando.
Entrei d'baixo do chuveiro e um frio na barriga tomou conta de mim. Era uma sensação que não sentia a anos, tenho raiva de admitir, mas tem sensações que somente ele me proporciona. Isso é fato.

Sai do banheiro com um roupão, enxugando meus cabelos e vi Matheus terminando de arrumar a gravata em frente ao espelho e pela sua expressão, continuava com raiva, mas afinal o que eu poderia fazer?! Ele sabe mais do que ninguém o quanto lutei todos esses anos contra esse sentimento e agora tenho que admitir a mim mesma que parece ter sido tudo em vão. Peguei a roupa que havia escolhido pra usar e comecei a vesti-la, coloquei alguns acessórios e fui me maquiar. O nervosismo já estava tomando conta de mim, não conseguia passar o lápis de olho por conta da minha mão que estava trêmula. Matheus entrou no banheiro e fechou ainda mais a cara quando percebeu o mesmo que eu, não estava mais agüentando essa situação era melhor encarar logo essa maldita coletiva. 

Entrei no carro de Matheus e não trocamos nenhuma palavra, liguei o som do carro numa rádio local e começou a anunciar a música nova que Luan havia lançado, engoli seco e fui mudar de estação até que Matheus se pronunciou.
- Uai, porque mudou? Só de ouvir a voz do Cantorzinho fica mais nervosa, é?
- Não enche, Matheus. 
- Não me enche você, não sabe nem disfarçar. -Dizia rindo sarcástico sem tirar os olhos do volante.
- Você achar é uma coisa, ser é outra totalmente diferente!
- Não discuto mais nada sobre isso, nada que você diga vai me convencer.
- O problema é inteiramente seu.

Fomos o resto do caminho calados, com esse clima tenso sobre nós. Chegamos no local do show e procuramos a sala que seria a Coletiva de imprensa. Matheus foi pra um lado e eu pra outro, quanto menos tempo eu estivesse com ele, menos nós brigaríamos. Já estava na hora de ir para a sala da coletiva e as borboletas no meu estômago já haviam voltado com toda força. 

Entrei na sala e procurei a cadeira com o meu nome e por azar meu, era bem na primeira fila. Me sentei e procurei Matheus com os olhos, ele estava no fundo da sala mas não tirava os olhos de mim e nem desfazia sua cara de poucos amigos. Me posicionei bufando e avistei uma mulher bastante simpática adentrando a sala e avisando que começaria a coletiva. Tremi na base, mas soube disfarçar.

- E ai galera, como cês tão? Tudo beleza? 
Olhei para o lado e vi o causador das borboletas no meu estômago. Sempre com aquele sorriso que só ele sabia dar. 
"Camila Salsa, pare com isso! Esse sorrisinho barato qualquer um sabe dar ose escovar os dentes todos os dias." Gritava meu sub-consciente. 

Estava distraída olhando cada movimento que Luan fazia, até que um outro Repórter que estava no meu lado me chamou atenção dizendo ser minha vez de perguntar algo a ele.
Olhei em direção a Luan que sorria malicioso pra mim, me fazendo estremecer.

- Boa noite, Luan Santana.
- Boa noite, Camila Salsa. - Falava Luan piscando pra mim que já não conseguia controlar nem as pernas bambas.
- As músicas que você compõe são diretamente para alguém? Quem se tornou sua atual inspiração?
- Eu já usei sim relacionamentos anteriores de inspiração para algumas músicas. A música Meu Destino, foi minha primeira composição e eu fiz sim para uma pessoa específica, foi para minha primeira namorada. 
Ouvir aquilo me fez ficar mais nervosa do que eu já estava. Luan por alguns segundos tirou os olhos de mim e eu os acompanhei, vendo a cena do Matheus se levantando do lugar onde estava e saindo da sala batendo a porta, fazendo um barulho ensurdecedor. 
Olhei pra Luan novamente e ele ria satisfeito, uma raiva tomou conta de mim, meu sangue parecia ferver. Como podia ser tão imbecil? Me levantei da cadeira e fui atrás de Matheus, deixando os outros colegas de trabalho sem entender, mas prosseguindo a coletiva.

- Matheus, por favor. Não faz assim... Volta aqui.
- Assim como, Camila? Me larga e para de ser ridícula. Você e o Luan se merecem, desde que sai do posto de ser seu melhor amigo para ser teu namoradinho, eu sabia que isso ia acontecer. De todas as mancadas que esse veadinho te deu, eu sempre estava contigo, mas parece que você nunca aprende! Que porra! 
- Primeiramente para de gritar comigo, eu não fiz nada pra você estar me tratando assim. Para de ficar relembrando coisas do passado, por favor. Vamos ficar numa boa Math, eu te peço.
- Ah, claro. Você nunca faz nada, Camila! Como ficar numa boa? Deixa de ser sínica. Você acha que eu não vi sua cara de apaixonada fazendo aquela pergunta idiota?
- Matheus, chega. Eu não tenho culpa da resposta que o Luan deu, não deixa ele acabar com a gente, isso que ele quer.
- Isso é o que ele quer? Então vai lá avisar ao seu Cantorzinho que ele conseguiu! Eu sou loucamente apaixonado por você sim, mas não a ponto de continuar com esse relacionamento sabendo que não por mim que você é apaixonada. 

Matheus saiu dali deixando Camila em prantos. Por mais que doesse ouvir aquelas coisas, todas elas eram a mais pura verdade. Camila se agachou no chão e chorava o que tinha pra chorar, estava perdendo o seu melhor amigo e que agora havia se tornado seu ex-namorando. Estava de cabeça baixa e soluçando de tanto chorar, quando alguém se abaixou a sua altura.

Luan Narrando

Cheguei no local onde seria gravado o show da virada e fui primeiramente na sala da Coletiva de imprensa. Entrei cumprimentando todos e vi Camila ali, sentada na primeira fileira. Cara, como ela estava linda! Pensei que nem tão cedo a veria e ela estava aqui bem na minha frente.

Os repórteres começaram a me fazer as mesmas perguntas chatas de sempre, "O que espera do novo ano que está chegando?", "Como você definiria o ano que passou?", "Como anda o coração, Luan?" Mal sabiam eles, que ele foi roubado a anos atrás por uma menina linda, marrenta, cabeça dura... Mas que agora tinha namorado e eu iria fazer de tudo para que isso fosse desfeito. 
Chegou a hora da Camila me perguntar e eu respondi a fazendo lembrar de nós dois propositalmente. Percebi o quão ela ficou me mexida e sem graça. Eu já havia me esquecido de como ela ficava linda envergonhada. Depois de um tempo a admirando, percebi Matheus se levantar e sair da sala com sangue nos olhos, ri disso e pensei "Objetivo concluído, Luanzeira."

Acabou a coletiva e eu fui cumprimentando os repórteres que se despediam, alguns pediam foto comigo e isso me rendeu alguns bons minutos. Fui saindo da sala e avistei uma mulher chorando, na mesma hora pensei ser uma das minhas fãs e me prontifiquei a ir falar com ela.

- Ei linda, não chora.
- Não chorar? Você acabou com meu namoro e não quer que eu chore? Ah, vai se fod...
- Ei, não sabia que era você, pensei ser uma fã. Agora para de ser grossa desse jeito, não tem pra quê me tratar tão mal.
- Eu? Sua fã? Vai pastar. E fique sabendo que eu vou lhe tratar do jeito que eu quiser. 
Luan prontamente a segurou pelo braço de Camila, a impedindo de ir embora.
- Me larga, mas que merda! Como você pode ser tão insuportável? Camila o fuzilava e ele chegava cada vez mais perto.
-E como você consegue ser tão gata? Quer dizer... Chata! 
Nossos olhares se mantinham fixos um no outro, as respirações ambos já se encontravam fracas, minha boca já estava seca e somente a dele iria saciar. Quando voltei a realidade, percebi que nossos corpos estavam colados demais e me dei conta que eu estava me mostrando bastante entregue a ele. Prontamente dei um chute no meio das suas partes, fazendo ele se contorcer de dor.
- Porra, você é louca? - Dizia Luan se agachando.
- Sou, sou louquinha de pedra! Agora vê se não se mete a ser engraçadinho, pelo menos não comigo. 

Olhei para o lado e um homem com o crachá da "Equipe Luan Santana" se aproximava.
- Qual foi boi? Ta com essa cara de quem levou um chute nos ovo porque? Vamo cara, cinco minutos você entra no palco.
- Talvez porque ele tenha realmente levado um. 

Camila saia de lá deixando os dois à sós e se sentindo uma vitoriosa por dentro. Afinal, resistir aos encantos de Luan Rafael nunca foi e nem nunca será uma tarefa fácil.